Um estudo inédito publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revelou que a conexão entre florestas e corpos d’água fortalece o microbioma dos anfíbios e ajuda a protegê-los contra um fungo letal responsável pela morte de centenas de espécies no mundo.
A pesquisa contou com a participação do professor Célio Haddad, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, além de pesquisadores brasileiros e norte-americanos.
Os cientistas analisaram a pele de 586 rãs de quatro espécies da Mata Atlântica paulista para entender como bactérias benéficas ajudam no combate ao fungo Batrachochytrium dendrobatidis (Bd), considerado um dos patógenos mais devastadores para anfíbios.
Segundo o estudo, áreas onde florestas e rios estão desconectados apresentam menor presença dessas bactérias protetoras, tornando os animais mais vulneráveis à infecção.
Os pesquisadores identificaram que espécies migratórias apresentaram maior carga do fungo justamente em regiões mais fragmentadas. Já anfíbios que utilizam bromélias como abrigo sofreram menos impactos, indicando que ambientes úmidos ajudam na proteção natural.
De acordo com os autores, a pesquisa reforça a importância da preservação ambiental e da criação de corredores ecológicos para manter a conexão entre habitats naturais.
Para o professor Célio Haddad, habitats preservados e conectados são fundamentais para manter populações saudáveis de anfíbios e combater os efeitos do desmatamento e da fragmentação ambiental.
O estudo também aponta que a saúde dos ecossistemas influencia diretamente outras espécies, incluindo os seres humanos, devido à importância dos microbiomas para o equilíbrio ambiental e biológico.



