Seleção de Ancelotti cedeu o primeiro tempo aos africanos, buscou o empate com Vinicius Jr., mas saiu de campo sem convencer. Próximo compromisso é na sexta-feira (19), contra o Haiti, na Filadélfia
A busca pelo hexacampeonato começou com alívio, mas também com preocupação. A Seleção Brasileira estreou na Copa do Mundo de 2026 com um empate por 1 a 1 diante do Marrocos, neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA), diante de 80.663 torcedores. O resultado, longe de ser catastrófico, acendeu um sinal de atenção: o Brasil foi amplamente dominado no primeiro tempo, e somente a qualidade individual de Vinícius Júnior impediu uma derrota logo de saída.
Marrocos impôs o jogo e abriu o placar
Desde os primeiros minutos, ficou claro que a Seleção Brasileira não havia encontrado seu melhor futebol. Nervosa e imprecisa nas trocas de passe, a equipe comandada pelo técnico italiano Carlo Ancelotti sofreu com a pressão organizada dos marroquinos, que controlaram as ações ofensivas com tranquilidade.
Aos 21 minutos do primeiro tempo, o domínio marroquino foi convertido em gol. Brahim Díaz lançou Ismael Saibari em profundidade. O atacante saiu livre entre os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães e encobriu o goleiro Alisson com categoria, abrindo o placar para a seleção africana.
O gol não foi surpresa para quem acompanhou o início da partida. O Marrocos — que chegou à semifinal do Mundial de 2022 e é hoje reconhecido como uma das seleções mais organizadas do planeta — seguiu criando chances e poderia ter ampliado antes do intervalo.
Vinicius salva o Brasil com jogada individual
Quando o placar parecia caminhar para o intervalo com a desvantagem, Vinícius Júnior apareceu para mudar a história. Aos 32 minutos, o atacante do Real Madrid recebeu a bola pelo lado esquerdo, cortou a marcação com velocidade e finalizou colocado no canto do goleiro, sem chances de defesa. O golaço empatou a partida e devolveu o fôlego à torcida brasileira.
Foi um dos raros momentos em que o Brasil funcionou de forma encadeada. O gol trouxe um breve crescimento do time no jogo, mas não foi suficiente para mudar o ritmo da partida.
Segundo tempo burocrático e sem definição
Na etapa final, o Brasil melhorou sua postura e passou a ter maior posse de bola. Raphinha e Matheus Cunha — que entrou no lugar de Igor Thiago — também participaram de jogadas ofensivas, e a Seleção esboçou reação. Ainda assim, a defesa marroquina manteve a organização e não permitiu que o Brasil criasse oportunidades claras de gol.
O segundo tempo foi marcado por lentidão e pela ausência de jogadas de alta intensidade. O empate acabou sendo o resultado mais fiel ao que foi apresentado em campo.
Escalação e polêmica: Endrick ficou no banco
Uma das discussões que tomou conta das redes sociais após o apito final foi a ausência de Endrick entre os titulares — e sua permanência no banco de reservas por toda a partida. O jovem atacante, que em diversas oportunidades anteriores balançou as redes ao entrar em campo sob o comando de Ancelotti, não teve nem minutos para mostrar seu futebol.
Em seu lugar, o técnico optou por Matheus Cunha, que pouco contribuiu ofensivamente. A torcida ficou visivelmente insatisfeita com a escolha.
Também chamou atenção a escalação de Ibáñez e Douglas Santos nas laterais, uma aposta de Ancelotti que divide opiniões entre analistas.
O que disse Ancelotti
Após a partida, o treinador reconheceu as dificuldades da estreia e indicou que há ajustes a serem feitos.
“Teve um pouco da ansiedade. No primeiro tempo eles pressionaram e fizeram transições perigosas. Mas poderíamos ter tido mais controle”, afirmou o técnico.
“Esperávamos começar melhor [a Copa]”, completou Ancelotti, em declaração que resume o sentimento geral.
Grupo C e o que está em jogo
Com o empate, o Brasil soma um ponto no Grupo C e divide a segunda posição com o próprio Marrocos. A próxima rodada será decisiva: a Seleção enfrenta o Haiti na sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia.
Na terceira e última rodada da fase de grupos, o Brasil mede forças com a Escócia. Uma vitória sobre o Haiti seguida de um bom resultado contra os escoceses coloca o time de Ancelotti com grande chance de avançar na liderança do grupo — o que definiria um caminho mais favorável no mata-mata.
O Grupo C tem o seguinte panorama após a primeira rodada:
Histórico entre Brasil e Marrocos
Os dois países se enfrentaram quatro vezes na história. O Brasil venceu os dois primeiros confrontos, em 1997 e 1998. Em março de 2023, o Marrocos conquistou pela primeira vez uma vitória sobre a Seleção Brasileira, num amistoso em Tânger — resultado que foi, curiosamente, o último jogo do Brasil antes de o atual ciclo com Ancelotti começar.
O empate desta quarta-feira é o segundo entre as seleções. O placar de 1 a 1 mantém a rivalidade viva e reforça que o Marrocos, longe de ser um adversário de segunda linha, representa um desafio real para qualquer seleção do mundo.
Análise: o que o empate revelou
O resultado, em si, não elimina o Brasil da Copa. Mas a forma como o jogo se desenvolveu revelou fragilidades que precisam ser corrigidas com urgência. A defesa oscilou, a criação coletiva foi limitada e o time não conseguiu impor seu ritmo em nenhum momento prolongado da partida.
Por outro lado, a capacidade de reação — mesmo com um futebol abaixo do esperado — e a presença de jogadores como Vinícius Júnior, capaz de resolver situações difíceis de forma individual, indicam que o potencial está lá. O Brasil ainda tem dois jogos para se encontrar. O hexa depende disso.




