Depois de quase dois meses de tentativas e entraves judiciais, o idoso João Luiz Miqueline, de 70 anos, recebeu nesta terça-feira (3), em Curitiba (PR), uma dose do tratamento experimental com polilaminina. Ele ficou paraplégico após sofrer uma queda de aproximadamente quatro metros de altura, há cerca de dois meses.
A família buscou o medicamento após tomar conhecimento da terapia em reportagens. Segundo os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento do tratamento, o ideal é que a aplicação ocorra dentro de uma chamada “janela biológica”, que pode variar entre 72 horas e até 90 dias após o trauma.
De acordo com Mitter Mayer, coordenador do grupo de trabalho da polilaminina no Espírito Santo, a família enfrentou diversas dificuldades no processo. Inicialmente, o pedido foi judicializado, mas acabou sendo negado em diferentes instâncias da Justiça.
Segundo ele, decisões foram adiadas, houve troca de magistrados e o caso chegou a um desembargador, mas acabou não sendo autorizado naquele momento. A situação mudou quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a permitir o acesso administrativo ao tratamento, sem necessidade de decisão judicial.
Com isso, a equipe conseguiu solicitar diretamente a autorização, que foi concedida pela agência reguladora.
Mesmo após a liberação, surgiram novos obstáculos. Houve dificuldade para conseguir vaga em hospital e também resistência inicial do médico responsável, que não conhecia o medicamento. Após tomar conhecimento do tratamento e acompanhar reportagens sobre o tema, o profissional acabou autorizando o procedimento.
João Luiz recebeu a dose da polilaminina cerca de 80 dias após o acidente, sendo o paciente que mais tempo aguardou entre os casos atendidos até agora.
Segundo relatos da equipe que acompanha o tratamento, o idoso demonstrou esperança durante todo o processo. Após o procedimento, agradeceu aos profissionais envolvidos.
A polilaminina é uma terapia ainda em estudo, desenvolvida pela bióloga Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e vem sendo pesquisada como possível alternativa para estimular a recuperação de pacientes com lesões na medula. Pesquisadores destacam que novos estudos ainda são necessários para avaliar plenamente a eficácia e segurança do método.


