O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo alertou para o crescimento dos casos de esporotricose animal no estado. A doença, causada por fungos do gênero Sporothrix, é considerada preocupante e já representa impacto significativo tanto na saúde animal quanto na saúde humana.
Segundo o conselho, os gatos são os mais afetados pela enfermidade, pois o fungo se adapta facilmente à temperatura corporal da espécie, fator que favorece a transmissão. A esporotricose atinge principalmente animais que têm acesso à rua e é apontada como um dos principais desafios sanitários urbanos relacionados às zoonoses no Brasil. Diante desse cenário, o órgão editou uma norma técnica com orientações aos profissionais da área veterinária.
De acordo com a coordenadora técnica médica-veterinária do conselho, Carla Maria Figueiredo de Carvalho, os gatos contraem a doença por meio da inoculação traumática. Isso pode ocorrer pelo contato com o solo contaminado, espinhos, lascas de madeira ou matéria orgânica, além do contato direto com animais doentes, especialmente durante brigas, arranhões e mordidas. O contato com secreções de lesões cutâneas é considerado a principal via de transmissão.
A esporotricose está presente em todas as regiões do país, com maior incidência nos estados das regiões Sul e Sudeste. Há registros de transmissão entre animais domésticos e silvestres, além de cerca de mil casos humanos por ano. No estado de São Paulo, a doença vem avançando de forma contínua desde 2011, com expansão para municípios da Região Metropolitana e do litoral.
Entre os anos de 2022 e 2023, o número de casos confirmados de esporotricose animal no estado subiu de 2.417 para 3.309. Apesar desse aumento, a notificação da doença em animais ainda não é obrigatória na maior parte do território paulista, o que dificulta a mensuração real do problema e o planejamento de estratégias mais eficazes de controle.
Com o crescimento dos registros, a variante humana da esporotricose passou a ter notificação compulsória a partir do primeiro semestre de 2025. Já as formas zoonóticas da doença ainda não têm essa obrigatoriedade. O Projeto de Lei nº 707/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, propõe tornar obrigatória a notificação de todos os casos suspeitos e confirmados da doença, tanto em humanos quanto em animais. Atualmente, há apenas orientação para que os casos em animais sejam comunicados.
O conselho também alerta que os sintomas da esporotricose em humanos podem surgir entre poucos dias e até três meses após a infecção. Em geral, a doença começa com um pequeno nódulo indolor, que pode aumentar de tamanho e evoluir para uma ferida aberta. As formas clínicas variam conforme o estado imunológico do paciente e a profundidade da lesão, podendo atingir a pele, o tecido subcutâneo e o sistema linfático, ou se disseminar para órgãos como pulmões, ossos e articulações.
A recomendação é que o atendimento médico seja procurado assim que surgirem os primeiros sintomas. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para lesões extensas e, em pessoas imunossuprimidas, se espalhar para além da pele.
Por fim, o CRMV-SP reforça a importância do tratamento correto dos animais doentes e do combate ao abandono, como forma de interromper a cadeia de transmissão. Gatos com sinais suspeitos devem ser avaliados por médico-veterinário e, sempre que possível, submetidos a exames laboratoriais para confirmação do diagnóstico.



