segunda-feira, 9 março, 2026
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Especialistas alertam para riscos no trânsito após mudanças nas regras de renovação da CNH

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A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) divulgou um alerta sobre os riscos de decisões administrativas no trânsito que não consideram os limites do corpo humano. O posicionamento ocorre em meio às discussões sobre a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), medida que dispensa exames físicos e mentais para parte dos motoristas.

Segundo a entidade, estudos mostram que um aumento de apenas 5% na velocidade permitida em uma via pode elevar em até 20% o número de mortes entre usuários que circulam no local. Os dados fazem parte da nova diretriz chamada Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária.

O documento destaca que o corpo humano possui limites biomecânicos que precisam ser considerados nas políticas públicas de trânsito. De acordo com a Abramet, a energia liberada em um acidente cresce rapidamente conforme aumenta a velocidade, superando a capacidade do organismo de suportar o impacto.

Especialistas apontam que pedestres, ciclistas e motociclistas estão entre os mais vulneráveis. Em colisões envolvendo pessoas fora do veículo, a velocidade responde por cerca de 90% da energia transferida ao corpo da vítima.

A diretriz também chama atenção para o aumento da circulação de veículos maiores, como SUVs, que possuem frente mais elevada e estão associados a maior risco de lesões graves ou fatais em atropelamentos.

Dados do DataSUS indicam que pedestres, ciclistas e motociclistas representam mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas a acidentes de trânsito no país.

Outro ponto levantado pela entidade é a importância da avaliação médica periódica para motoristas. Segundo o documento, condições de saúde como envelhecimento, doenças neurológicas, problemas cardiovasculares, distúrbios do sono e sequelas de traumatismos podem reduzir a capacidade de reação e a tolerância do corpo a impactos.

A discussão ganhou força após a publicação da Medida Provisória 1.327/2025, que autorizou a renovação automática da CNH para motoristas que fazem parte do Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) e não cometeram infrações nos últimos 12 meses.

Na primeira semana de vigência da medida, mais de 323 mil motoristas tiveram a habilitação renovada automaticamente, gerando uma economia estimada em R$ 226 milhões em taxas e exames.

A maior parte dos beneficiados possui habilitação na categoria B, voltada para condução de automóveis. Motoristas com habilitação para carros e motos também estão entre os contemplados.

Alguns grupos, no entanto, continuam obrigados a realizar exames presenciais para renovar o documento. É o caso de motoristas com 70 anos ou mais, condutores com restrições médicas ou aqueles que estão com a CNH vencida há mais de 30 dias.

A Abramet defende que políticas de trânsito priorizem a segurança viária, com limites de velocidade adequados, campanhas educativas e avaliações médicas periódicas para garantir condições seguras de condução.

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