Melquer Sambugari Teodoro, de 28 anos, deixou Rio Claro (SP) em maio de 2026 para integrar as Forças Armadas ucranianas; em entrevista exclusiva ao Grupo Rio Claro, ele relata os perigos do conflito, a saudade da família, a importância da fé e sua adaptação ao país europeu
Melquer Sambugari Teodoro, de 28 anos, nasceu e sempre morou em Rio Claro, até decidir deixar o Brasil, em maio de 2026, para integrar as Forças Armadas da Ucrânia. Atualmente no país europeu, ele relata ao Grupo Rio Claro as motivações que o levaram a tomar essa decisão, os riscos que afirma enfrentar diariamente e as dificuldades de viver longe da família em meio à guerra.
Morador do bairro Parque São Jorge antes de viajar, Melquer conta que o desejo de seguir a carreira militar existe desde a infância. Segundo ele, a vontade de servir às Forças Armadas foi um dos principais fatores que o motivaram a procurar uma oportunidade no exterior.
Outro motivo, de acordo com o rio-clarense, foi a situação da população ucraniana diante dos ataques russos. Ele afirma que passou a se colocar no lugar dos moradores atingidos pelo conflito e a pensar em como gostaria que outras pessoas ajudassem caso uma situação semelhante acontecesse no Brasil.
Decisão de viajar foi tomada em maio
Melquer conta que acompanhava as notícias sobre a guerra desde o início do conflito e que encontrou, pelo Instagram, publicações de brigadas ucranianas que estavam recrutando estrangeiros.
Após pesquisar as possibilidades, ele entrou em contato com uma das organizações, conversou por WhatsApp e organizou a viagem. Segundo o entrevistado, como já possuía passaporte válido, conseguiu escolher a data e comprar a passagem.
Ele optou por não revelar o nome da brigada à qual pertence, alegando preocupação com a própria segurança.
Antes de viajar, sua preparação no Brasil, conforme relatou, foi concentrada em práticas de tiro. Já na Ucrânia, afirma ter organizado a documentação militar e recebido treinamento que descreve como sendo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), durante aproximadamente dois meses.
Alarmes e ataques fazem parte da rotina
Entre as principais diferenças que encontrou ao chegar ao país, Melquer destaca o idioma, a alimentação e os alarmes que alertam para o risco de ataques aéreos.
Segundo ele, a rotina é concentrada no serviço militar. O entrevistado afirma que está em uma região frequentemente atingida por mísseis, artilharia e drones, situação que, conforme seu relato, faz com que tema pela própria vida diariamente.
“Quando ouvimos o barulho se aproximando, só nos resta pedir proteção a Deus e esperar pelo impacto”, relatou.
Melquer também descreve os deslocamentos para missões como momentos de grande preocupação. Segundo ele, os trajetos podem envolver áreas desprotegidas e ameaças de drones, tornando a ida e a volta especialmente difíceis.
Por questões de segurança, o entrevistado não revelou a localização exata em que atua nem o nome da unidade militar.
Fé e oração em meio aos perigos da guerra
Ao falar sobre como enfrenta os riscos do conflito, Melquer atribui à fé religiosa uma importância central em sua vida. Segundo ele, a oração é fundamental para enfrentar as situações de perigo que afirma vivenciar diariamente.
O rio-clarense fez questão de destacar sua crença em Jesus e no poder da oração como parte essencial de sua experiência na Ucrânia.
“Quero que deixe explícito que eu só estou vivo aqui devido ao poder da oração e que Jesus é a salvação”, afirmou.
Para Melquer, a espiritualidade representa uma fonte de proteção e esperança em meio às incertezas vividas em uma região marcada pelos ataques.
Saudade da família é uma das maiores dificuldades
Apesar dos riscos relacionados ao conflito, Melquer afirma que a distância da família é uma das partes mais difíceis da experiência.
Ele conta que sente falta dos pais, dos avós e dos amigos que deixou no Brasil. Segundo o rio-clarense, a saudade é um sentimento que pesa mesmo para quem está acostumado a enfrentar situações de perigo.
“Querer abraçar o avô, a avó, querer estar ali perto da mãe e do pai, que são o meu refúgio”, disse ao descrever o que mais sente falta durante o período na Ucrânia.
De acordo com ele, os familiares compreenderam sua decisão e continuam apoiando sua escolha, embora demonstrem preocupação com sua segurança.
Rio-clarense faz alerta a quem pensa em ir para a Ucrânia
Ao falar com outros brasileiros que cogitam viajar para participar do conflito, Melquer recomenda cautela e pesquisa antes de qualquer decisão.
Segundo ele, as imagens e publicações nas redes sociais nem sempre mostram todas as dificuldades encontradas por quem chega ao país. O entrevistado alerta que existem pessoas que fazem promessas que não correspondem à realidade e que a falta de preparação pode trazer consequências negativas.
“Pensem e repensem antes de tomar a decisão de vir para cá, pois não é muito fácil como parece nas redes sociais”, aconselhou.
Ele também recomenda que quem considera esse caminho estude os fatores envolvidos e esteja consciente dos riscos e das exigências da vida militar.
Apesar das dificuldades, Melquer afirma que a experiência provocou mudanças pessoais. Segundo ele, viver na Ucrânia o levou a rever comportamentos e a valorizar aspectos cotidianos que antes passavam despercebidos.
“Eu diria que vir para cá me salvou, pois eu me reinventei, mudei minha maneira de agir e aprendi a dar valor a coisas básicas que antes eu não valorizava”, relatou.
Adaptação à Ucrânia e novo relacionamento
Apesar da distância da família e das dificuldades relacionadas à guerra, Melquer afirma que também conseguiu se adaptar à vida no país europeu e desenvolver novos vínculos pessoais.
Ele conta que gostou tanto da Ucrânia que iniciou um relacionamento com uma mulher ucraniana.
A experiência, segundo o rio-clarense, vai além da rotina militar e inclui a construção de uma nova vida em um país de cultura e idioma diferentes dos que conhecia no Brasil.
Planos para o futuro
Mesmo diante das dificuldades descritas, Melquer afirma que pretende continuar atuando na área militar ou de segurança privada.
Sua trajetória, iniciada em Rio Claro e agora marcada pela experiência em uma zona de guerra, reúne o desejo de seguir uma carreira, as convicções pessoais que motivaram sua decisão, a importância da fé e os desafios de viver longe de casa.
O relato do rio-clarense também evidencia a importância de conhecer os riscos envolvidos antes de tomar decisões relacionadas à participação em conflitos armados no exterior.
Observação editorial: esta reportagem foi elaborada com base no depoimento concedido por Melquer Sambugari Teodoro ao Grupo Rio Claro. As informações sobre sua atuação militar, treinamento, condições de serviço e exposição a ataques são atribuídas ao entrevistado e não foram verificadas de forma independente pela reportagem.


