Suzane von Richthofen esteve em uma delegacia da capital paulista, acompanhada de um advogado, para tentar liberar o corpo de seu tio materno, Miguel Abdalla Netto, encontrado morto na última sexta-feira (9), em uma residência no bairro Campo Belo, zona sul de São Paulo. A liberação, no entanto, foi negada, pois uma prima já havia realizado o procedimento.
Miguel Abdalla Netto, de 76 anos, foi encontrado sem vida por um vizinho, que estranhou a ausência do médico por dois dias. O corpo estava em avançado estado de decomposição e foi localizado no quarto da residência. A Polícia Militar foi acionada e preservou o local para os trabalhos periciais.
A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita. A principal hipótese é de causa natural, mas a confirmação depende do laudo do Instituto Médico Legal (IML).
Suzane compareceu ao 27º Distrito Policial (DP), no Campo Belo, entre domingo (11) e segunda-feira (12), onde se identificou como sobrinha da vítima. Segundo a polícia, ela foi informada de que a liberação do corpo já havia sido feita por Carmem Silvia Gonzalez Magnani, empresária de 69 anos e prima de Suzane, que esteve na delegacia no sábado (10) e obteve autorização para o traslado do corpo ao IML Central.
Na noite de domingo (11), um serviço funerário particular contratado pela família realizou o transporte do corpo para um cemitério, cujo local não foi divulgado.
Miguel Abdalla Netto era médico, morava sozinho, não era casado e não deixou filhos. Ele ficou conhecido por ter sido tutor de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, após o assassinato de Manfred Albert von Richthofen e Marísia von Richthofen, em 2002. À época, Andreas tinha 15 anos. Atualmente, ele tem 38 anos e não compareceu à delegacia para tratar da liberação do corpo.
Miguel administrou os bens de Andreas até que ele atingisse a maioridade. Formado em farmácia e bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP), Andreas passou a ter controle do patrimônio posteriormente.
Suzane, condenada por participação no assassinato dos próprios pais, em 2002, atualmente cumpre pena em regime aberto. Ela passou a usar o nome Suzane Louise Magnani Muniz após se casar, em 2023, com o médico Felipe Zecchini Muniz. O casal mora em Bragança Paulista, no interior do estado, e teve um filho em 2024.
Segundo informações preliminares, Miguel Abdalla Netto deixou imóveis e aplicações financeiras, mas não há confirmação sobre a existência de testamento. Na ausência de disposição formal, eventuais herdeiros poderão discutir a partilha dos bens na Justiça.
Em 2015, a Justiça de São Paulo oficializou a exclusão de Suzane da herança deixada por seus pais. Na ocasião, o patrimônio estimado em cerca de R$ 10 milhões foi destinado exclusivamente a Andreas von Richthofen.



