sexta-feira, 6 fevereiro, 2026
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Cães treinados conseguem farejar câncer antes do diagnóstico

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Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, identificaram que cães treinados são capazes de detectar o câncer precocemente por meio do olfato, antes mesmo de a doença ser diagnosticada por exames convencionais. O estudo mostra que os animais conseguem reconhecer odores específicos associados à presença de tumores em amostras biológicas.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade da Pensilvânia, analisou a capacidade de cães treinados em identificar o hemangiossarcoma, um tipo agressivo e frequentemente fatal de câncer em cães. Em um dos testes, uma das cadelas participantes acertou 70% das tentativas ao identificar corretamente amostras de sangue com a doença.

Embora o foco do estudo seja o câncer canino, pesquisas anteriores já indicaram que cães também conseguem detectar diferentes tipos de câncer em humanos, como ovário, pâncreas, bexiga e pulmão. Nesses casos, a identificação ocorre por meio do odor presente no sangue, na urina ou até no hálito, com índices de precisão que podem chegar a 90%.

Segundo as pesquisadoras Cynthia Otto e Clara Wilson, responsáveis pelo trabalho, os cães conseguem identificar o odor específico do hemangiossarcoma, o que abre novas possibilidades para métodos de triagem mais eficientes e para o desenvolvimento de tratamentos com melhores resultados. De acordo com Clara Wilson, a detecção do câncer por cheiro é um desafio, já que se trata de um odor complexo, mas os resultados obtidos são considerados encorajadores.

No estudo, cinco cães de biodetecção, previamente treinados para reconhecer odores associados a outras doenças, participaram de testes duplo-cegos. As análises incluíram amostras de soro sanguíneo de cães com hemangiossarcoma confirmado, cães com outras doenças não cancerosas e animais saudáveis. Cada cão avaliou diversos conjuntos de amostras ao longo de diferentes ensaios.

Para o treinamento e os testes, os pesquisadores utilizaram equipamentos de alta tecnologia chamados olfatômetros, que registram com precisão quando o animal examina uma amostra. Ao identificar corretamente o odor-alvo, o cão recebe um sinal sonoro e uma recompensa, reforçando o comportamento desejado.

Em média, os cães acertaram 70% das amostras com hemangiossarcoma, índice semelhante ao observado em estudos de detecção de câncer humano por cães. Os cientistas destacam que o principal objetivo da pesquisa era comprovar que a doença possui um perfil olfativo detectável, o que foi confirmado.

Com essa constatação, os pesquisadores agora pretendem avançar no desenvolvimento de testes ou dispositivos capazes de identificar o câncer a partir desse odor específico. A expectativa é que, no futuro, um teste desse tipo possa ser utilizado como exame anual de triagem, indicando precocemente a necessidade de exames mais detalhados, como ultrassonografia ou tomografia.

A detecção antecipada do hemangiossarcoma pode representar um avanço significativo no tratamento da doença. Segundo Cynthia Otto, identificar o câncer em estágios iniciais pode impedir sua disseminação, considerada a principal causa de agravamento dos casos. Com o diagnóstico precoce, veterinários poderiam avaliar intervenções mais rápidas, como a remoção preventiva do baço ou o início antecipado da quimioterapia, aumentando as chances de sobrevivência dos animais.

Além disso, a identificação precoce também abre caminho para o teste de novas terapias em estudos clínicos, contribuindo para o avanço da medicina veterinária e, possivelmente, para aplicações futuras na área da saúde humana.

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