sábado, 28 março, 2026
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Alterações na respiração podem influenciar hipertensão, aponta pesquisa da USP

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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) indica que alterações nos padrões respiratórios podem estar relacionadas ao desenvolvimento e à manutenção da hipertensão arterial. A descoberta pode ajudar a explicar por que cerca de 40% dos pacientes continuam com pressão alta mesmo após o uso de medicamentos.

A pesquisa identificou que neurônios localizados em uma região do cérebro chamada parafacial lateral (pFL) podem influenciar diretamente o sistema cardiovascular. Durante a expiração ativa — quando há contração intensa dos músculos abdominais — esses neurônios podem provocar contração dos vasos sanguíneos, contribuindo para picos de pressão arterial.

O estudo foi publicado na revista científica Circulation Research e contou com a participação de cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

De acordo com o pesquisador Davi José de Almeida Moraes, autor correspondente do trabalho, os resultados mostram uma ligação entre o sistema respiratório e o controle da pressão arterial.

Segundo ele, os neurônios responsáveis pela expiração ativa demonstraram capacidade de impactar a função cardiovascular, o que abre possibilidade de novos caminhos terapêuticos para o tratamento da hipertensão.

Experimentos em laboratório

Os experimentos foram realizados em modelos animais, nos quais os cientistas manipularam a atividade de neurônios da região parafacial lateral utilizando técnicas de engenharia genética e estímulos optogenéticos.

Quando esses neurônios eram estimulados, ocorria aumento da atividade do sistema nervoso simpático, responsável pela contração dos vasos sanguíneos, o que elevava a pressão arterial.

Por outro lado, quando os neurônios eram inibidos, a pressão arterial retornava a níveis normais em casos de hipertensão neurogênica induzida por hipóxia crônica intermitente — condição associada à apneia obstrutiva do sono.

Hipertensão e fatores de risco

A hipertensão arterial é considerada um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais crônicas.

Diversos fatores podem influenciar o aumento da pressão arterial, incluindo tabagismo, consumo de álcool, obesidade, estresse, ingestão elevada de sal, níveis altos de colesterol e sedentarismo.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em 2025, cerca de 1,4 bilhão de pessoas vivem com hipertensão no mundo. Apenas uma em cada cinco consegue controlar a condição por meio de medicamentos ou mudanças no estilo de vida.

Diretrizes atualizadas no Brasil também passaram a considerar o nível de pressão arterial de 120 por 80 milímetros de mercúrio — conhecido popularmente como “12 por 8” — como faixa de alerta, classificada como pré-hipertensão. O nível considerado normal deve permanecer abaixo desse valor.

Os pesquisadores afirmam que novas investigações serão necessárias para avaliar se os mecanismos observados nos experimentos também ocorrem da mesma forma em humanos e como esses conhecimentos podem contribuir para futuros tratamentos.

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