domingo, 11 janeiro, 2026
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Inflamação na gengiva pode agravar danos cerebrais ligados ao Parkinson, aponta estudo da USP

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Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp), da Universidade de São Paulo (USP), indica que a inflamação crônica provocada por doenças gengivais pode intensificar a degeneração de neurônios associada à doença de Parkinson. A pesquisa foi realizada em modelo animal e analisou os efeitos da periodontite sobre o cérebro e o desempenho motor.

De acordo com o trabalho, a periodontite — infecção bacteriana que atinge os tecidos de suporte dos dentes — pode ampliar processos inflamatórios no sistema nervoso central e acelerar a perda de neurônios produtores de dopamina, substância fundamental para o controle dos movimentos. A redução desses neurônios está diretamente relacionada aos principais sintomas do Parkinson, como tremores, rigidez muscular e lentidão motora.

As pesquisadoras observaram que inflamações crônicas fora do cérebro, como as que se originam na gengiva, liberam mediadores inflamatórios na corrente sanguínea. Essas substâncias podem alcançar o cérebro, ativar células de defesa do sistema nervoso e desencadear o chamado estresse oxidativo, processo que danifica células nervosas e favorece a neurodegeneração.

No experimento, os animais foram divididos em quatro grupos: um saudável, um com periodontite, um com lesão dopaminérgica (modelo de Parkinson) e outro com a combinação das duas condições. A periodontite foi induzida por meio do acúmulo bacteriano ao redor dos dentes, enquanto a lesão dopaminérgica foi provocada por uma substância capaz de destruir seletivamente neurônios produtores de dopamina.

Os resultados mostraram que os animais com periodontite apresentaram pior desempenho em testes de coordenação e equilíbrio, especialmente quando a inflamação bucal estava associada à lesão dopaminérgica. Também foi constatada maior perda de neurônios, aumento da inflamação cerebral e elevação de substâncias relacionadas ao estresse oxidativo no organismo.

Segundo as pesquisadoras, os achados indicam que a inflamação bucal crônica pode contribuir para um estado inflamatório sistêmico, com reflexos diretos no cérebro, agravando a progressão do Parkinson. Embora o estudo tenha sido realizado em modelo animal, os dados reforçam a importância do cuidado com a saúde bucal.

O trabalho aponta que o tratamento adequado da periodontite e o acompanhamento odontológico regular podem ajudar a reduzir a inflamação sistêmica e, potencialmente, atenuar o avanço de doenças neurodegenerativas. Novas pesquisas estão em andamento para avaliar terapias com ação anti-inflamatória e antioxidante que possam proteger os neurônios afetados.

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