segunda-feira, 9 março, 2026
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Polilaminina: tratamento que pode devolver movimentos ainda precisa passar por testes científicos

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A pesquisa com a polilaminina, substância desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com a farmacêutica Cristália, tem despertado grande expectativa nos últimos dias. Apesar do potencial promissor, especialistas destacam que ainda são necessários testes clínicos para comprovar de forma definitiva a segurança e a eficácia do tratamento em pessoas com lesão medular.

Os estudos com a substância começaram há mais de 25 anos e, durante a maior parte desse período, foram realizados testes em laboratório, etapa conhecida como fase pré-clínica. Nesse estágio, os pesquisadores avaliaram os efeitos da polilaminina em culturas de células e em animais antes de iniciar testes em humanos.

A polilaminina foi descoberta pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho de forma inesperada durante experimentos com a proteína laminina, presente em várias partes do corpo humano. Ao invés de se separar, as moléculas começaram a se unir, formando uma rede. A partir dessa observação, os pesquisadores passaram a estudar o potencial da substância para estimular a regeneração de conexões nervosas.

No sistema nervoso, a laminina funciona como uma espécie de suporte para o crescimento dos axônios, estruturas dos neurônios responsáveis por transmitir sinais entre o cérebro e o restante do corpo. Em casos de lesão na medula espinhal, esses axônios são rompidos, interrompendo a comunicação nervosa e causando paralisia. A hipótese dos pesquisadores é que a polilaminina possa criar uma base para que esses axônios voltem a crescer, restabelecendo essa comunicação.

Entre 2016 e 2021 foi realizado um estudo-piloto com oito pacientes que sofreram lesões graves na medula. Cinco deles apresentaram algum nível de recuperação de movimentos após receber o tratamento associado à cirurgia de descompressão da coluna. No entanto, especialistas alertam que esses resultados ainda não são suficientes para comprovar cientificamente a eficácia da substância.

Agora, a pesquisa entra na fase 1 dos ensaios clínicos, que deve começar ainda neste mês. Nessa etapa, o principal objetivo é avaliar a segurança do tratamento e identificar possíveis efeitos adversos. O estudo contará com cinco voluntários com lesão medular aguda e será realizado no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Os participantes deverão ter entre 18 e 72 anos e apresentar lesão completa da medula na região torácica, ocorrida há menos de 72 horas. Como a aplicação da polilaminina é feita diretamente na medula, os testes não podem ser realizados em pessoas saudáveis.

Após essa fase inicial, o tratamento ainda deverá passar por outras duas etapas de testes clínicos, com maior número de voluntários e comparação entre grupos de pacientes para avaliar de forma precisa a eficácia da substância.

Especialistas ressaltam que esse processo é fundamental para garantir que o tratamento seja seguro e realmente eficaz. A continuidade dos estudos dependerá da aprovação de órgãos reguladores e de comitês de ética responsáveis por acompanhar as pesquisas clínicas no país.

Caso a eficácia seja comprovada nas próximas fases, a polilaminina poderá representar uma nova alternativa terapêutica para pessoas com lesão medular, condição que atualmente possui poucas opções de tratamento.

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