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USP alerta para risco de AVC em idosos durante ondas de calor e poluição

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Pesquisa aponta aumento de 40,4% na chance de AVC a cada dia adicional de exposição combinada ao calor e à poluição; atividade física e prevenção cardiovascular ajudam a proteger o cérebro.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificou uma associação entre ondas de calor, poluição do ar e aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC) em pessoas com 65 anos ou mais. Os resultados foram apresentados durante a FAPESP Week Países Baixos, realizada na Universidade de Leiden.

A pesquisa analisou dados de pacientes atendidos na capital paulista e apontou que a exposição prolongada a temperaturas elevadas, especialmente quando combinada à poluição atmosférica, está associada a uma maior probabilidade de ocorrência de AVC agudo.

Para o estudo, os pesquisadores consideraram onda de calor a ocorrência de pelo menos dois dias consecutivos com temperaturas máximas de 33,1°C ou mais.

O impacto foi ainda mais expressivo quando as altas temperaturas foram combinadas com a presença de material particulado fino PM10, poluente associado principalmente à queima de combustíveis e à poeira em suspensão.

Segundo os resultados apresentados, a razão de chances de ocorrência de AVC chegou a 1,404 na análise que considerou a interação entre calor e poluição. Isso representa um aumento de 40,4% na chance do evento por dia adicional de exposição à combinação desses fatores.

Como o estudo foi realizado

A pesquisa utilizou dados do Estudo de Mortalidade e Morbidade do Acidente Vascular Cerebral (EMMA), desenvolvido na USP com financiamento da FAPESP.

Os pesquisadores analisaram informações de 769 pessoas diagnosticadas com AVC agudo entre 2006 e 2018. Desse grupo, 54,2% eram mulheres e 65,5% tinham 65 anos ou mais.

A equipe comparou as condições meteorológicas e a qualidade do ar nos dias anteriores aos eventos neurológicos para avaliar a relação entre a exposição ambiental e a ocorrência de AVC.

A professora Alessandra Carvalho Goulart, da Faculdade de Medicina da USP, explicou que o calor intenso pode provocar desidratação, alterações na circulação sanguínea e sobrecarga cardiovascular, fatores que contribuem para aumentar o risco de eventos vasculares.

Exercício físico ajuda a proteger o cérebro

Além dos fatores ambientais, os pesquisadores investigaram a relação entre hábitos de vida, saúde cardiovascular e alterações cerebrais associadas ao envelhecimento.

Em análises do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), que acompanhou 1.285 participantes entre 2008 e 2024, a equipe identificou uma associação entre melhores indicadores de saúde cardiovascular e menor ocorrência de lesões nos pequenos vasos sanguíneos do cérebro.

A cada aumento de dez pontos no escore Life’s Essential 8, utilizado pela American Heart Association para avaliar oito fatores de saúde, houve redução de 14% na chance de desenvolver lesões graves nos pequenos vasos cerebrais.

O indicador considera alimentação, atividade física, sono, tabagismo, índice de massa corporal, colesterol, glicemia e pressão arterial.

Outro resultado apontou que níveis moderados a elevados de atividade física estiveram associados a uma redução de 21% a 22% no risco de apresentar marcadores da doença de pequenos vasos cerebrais.

Entre as alterações avaliadas estão pequenas lesões causadas por problemas na circulação, micro-hemorragias e mudanças nos espaços ao redor dos vasos sanguíneos.

Os pesquisadores também observaram uma associação entre a prática de exercícios e a preservação do volume do córtex entorrinal, região cerebral importante para a memória e a orientação espacial.

Como se proteger durante ondas de calor

Os resultados reforçam a importância dos cuidados com a saúde cardiovascular e da prevenção durante períodos de temperaturas elevadas, especialmente entre idosos.

Algumas medidas ajudam a reduzir os riscos:

  • Hidratação: beber água regularmente, mesmo sem sentir sede, respeitando eventuais restrições médicas.
  • Evitar exposição ao calor: procurar ambientes frescos e evitar atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes.
  • Atividade física: manter uma rotina de exercícios adequada à idade e às condições de saúde, preferencialmente nos horários de temperatura mais amena.
  • Controle da pressão arterial: acompanhar a pressão e seguir corretamente as orientações médicas.
  • Acompanhamento médico: manter sob controle fatores como diabetes, colesterol elevado e doenças cardiovasculares.
  • Atenção à poluição: quando possível, evitar atividades físicas em locais com tráfego intenso e em períodos de pior qualidade do ar.

Reconhecer os sinais de AVC é fundamental

O AVC é uma emergência médica. A identificação rápida dos sintomas pode fazer diferença no atendimento e nas possibilidades de recuperação.

Entre os principais sinais estão:

  • Fraqueza ou formigamento em um lado do corpo;
  • Boca torta ou alteração repentina no rosto;
  • Dificuldade para falar ou compreender;
  • Perda súbita de visão;
  • Tontura intensa, desequilíbrio ou dificuldade para caminhar;
  • Dor de cabeça súbita e muito forte, sem causa aparente.

Diante de qualquer desses sintomas, é necessário acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192. Não se deve esperar que os sinais desapareçam.

Pesquisadores também investigam o uso do lítio contra Alzheimer

Durante o evento científico, pesquisadores da USP também apresentaram resultados de estudos sobre o potencial neuroprotetor do lítio em pessoas com comprometimento cognitivo leve, condição que pode anteceder a demência.

As pesquisas, coordenadas pelo professor Orestes Forlenza, investigam o uso de doses subterapêuticas da substância e seu possível efeito na estabilização de perdas de memória e raciocínio.

Os estudos também incluem experimentos com animais e análises dos mecanismos biológicos relacionados à doença de Alzheimer.

Os resultados apresentados indicam potencial terapêutico, mas não significam que o lítio seja um tratamento comprovado ou recomendado para prevenção do Alzheimer. Seu uso exige avaliação e acompanhamento médico.

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