A vacina contra o HPV é considerada a forma mais eficaz de prevenção contra a infecção causada pelo papilomavírus humano, segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mesmo assim, informações falsas continuam circulando e impactam a adesão à vacinação no Brasil, que ainda não atingiu a meta de 95% de cobertura estabelecida pelo programa nacional.
O HPV é um grupo com mais de 200 tipos de vírus e está associado a verrugas genitais e a diversos tipos de câncer, como os de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. A imunização é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas ainda enfrenta resistência motivada por boatos e desinformação.
Em 2024, a cobertura vacinal global no país chegou a 82%, ante 78,5% em 2022, de acordo com dados oficiais. Especialistas reforçam que a vacina é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual, período em que o organismo apresenta melhor resposta imunológica.
A seguir, veja oito mitos comuns sobre a vacina contra o HPV e o que dizem as evidências científicas.
1. A vacina altera o DNA humano
Falso. A vacina não tem capacidade de modificar o DNA. Ela é produzida a partir de partículas semelhantes ao vírus, sem material genético viral. Essas partículas estimulam o sistema imunológico sem risco de infecção ou alteração genética.
2. A vacina causa a Síndrome de Guillain-Barré
Falso. Estudos analisados pelo Comitê Consultivo Global para Segurança de Vacinas da OMS não identificaram associação entre a vacina contra o HPV e a síndrome. Pesquisas de larga escala em países como Dinamarca, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos reforçam a segurança do imunizante.
3. A vacina causa mais riscos do que benefícios
Falso. Os efeitos adversos mais comuns são leves, como dor no local da aplicação. Em contrapartida, a vacina reduz significativamente o risco de cânceres associados ao HPV.
4. Só contrai HPV quem tem muitos parceiros
Falso. O HPV pode ser transmitido mesmo em relações com um único parceiro. Trata-se de um vírus altamente comum e de fácil transmissão por contato íntimo.
5. Como o HPV não tem cura, a vacina não adianta
Falso. Justamente por não existir tratamento específico contra o vírus, a prevenção é considerada essencial. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que a vacinação pode prevenir cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero.
6. Quem já teve HPV não precisa se vacinar
Falso. A vacina protege contra vários tipos do vírus. Mesmo quem já teve contato com um deles pode se beneficiar da proteção contra outros subtipos associados ao câncer.
7. Fora da idade indicada, não é necessário vacinar
Nem sempre. A vacina é priorizada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, faixa etária com melhor resposta imunológica. Em campanhas específicas, jovens de 15 a 19 anos também podem receber a dose. Em situações particulares, a vacinação pode ser indicada até os 45 anos, mediante avaliação médica.
8. A vacina foi suspensa no Japão
Falso. O Japão nunca suspendeu a vacina. Houve apenas a interrupção temporária da recomendação ativa, enquanto eram investigados relatos sem comprovação científica. A recomendação oficial foi retomada em 2022.
Estudos internacionais reforçam a eficácia da vacina. Pesquisa publicada em 2020 na revista científica BMC Infectious Diseases apontou redução significativa de lesões pré-cancerosas em mulheres jovens vacinadas, com eficácia de até 91% contra lesões mais graves.
Especialistas destacam que combater a desinformação é fundamental para ampliar a cobertura vacinal e reduzir doenças associadas ao HPV no Brasil.


