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“O machismo é algo cultural, não religioso”, diz youtuber muçulmana


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Fala Fatuma
Reprodução

Fatima Cheaitou é dona do canal Fala Fatuma e desmitifica o islamismo

Com mais de 1,5 milhão de  muçulmanos no Brasil, mas com predominância de cristãos , muitas pessoas ficam curiosas para conhecer mais a religião. Felizmente Internet tem se tornado um meio para divulgar informações e combater preconceitos sobre religião islâmica. É o que faz Fatima Cheaitou, em seu canal Fala Fatuma , que tem mais de 100 mil seguidores no Youtube. 

Natural de Salvador, Bahia, Fatima atualmente vive no Líbano, de onde produz o conteúdo de seu canal. Em entrevista ao Delas a youtuber conta que a atenção que chamava no Brasil era algo até que comum. “Antes de me mudar para cá, eu morava em São Paulo, pois minha mãe queria que eu crescesse próxima da religião e aprendendo árabe. Então sempre me senti diferente, com olhares curiosos e tal, mas isso para mim é normal”.

Ela diz que já passou por situações de xenofobia – o ódio ou aversão ao estrangeiro – mesmo sendo brasileira. “Já sofri com pessoas me mandando de volta para o meu país, mas nunca sofri algo físico. O tratamento diferente acontece sim, você acaba sentindo que aquele lugar não é seu, mas eu sou brasileira então porque você me trata como se não fosse?”, diz. 

Como há muitas perguntas e curiosidades sobre a religião, Fatima aproveitou a faculdade de Jornalismo para criar o canal. “Uma professora me disse para falar sobre minha religião no Youtube, já que eu tirava dúvidas sempre e gostava de contar sobre a minha experiência. Eu gosto disso, mas eu tinha muita vergonha e dei uma chance”, conta.

Fatima explicou a ideia para a mãe e teve muito apoio. “Ela ficou super feliz, porque queria que a gente tivesse essa criação religiosa e amou essa combinação de Jornalismo com a religião. Criei o canal e graças a Deus tá dando muito certo e crescendo cada vez mais. Está valendo a pena, pois gosto de falar sobre a religião e sinto que me achei no canal”, diz. 

Fatima conta que decidiu se mudar para o Líbano para ficar mais próxima da família e da religião. Hoje ela cursa Comunicação e Redes Sociais. “Apesar de cursar em uma faculdade com o sistema americano e ter pessoas de todos os tipos, aqui no Líbano notam que não sou árabe pelo meu sotaque, então aqui sou brasileira e no Brasil sou libanesa, eu pensava ‘então de onde eu sou?’ “, conta. 

“O machismo é algo cultural, não religioso”

Fatima diz que sofre com os preconceitos relacionados ao islamismo, principalmente aqueles que dizem respeito às mulheres. “O que eu mais escuto é sobre a mulher ser submissa, que eu sou oprimida por usar o hijab , que não posso dirigir. O machismo é algo cultural, não religioso, as pessoas misturam as coisas. O Alcorão explica tudo, todas as coisas direito e também os direitos das mulheres, podemos fazer tudo”, diz. 

Ela também diz que usar ou não hijab é uma opção da mulher. “Hijab é basicamente uma obrigação do Alcorão, mas está lá, ninguém é realmente obrigado a fazer. Hijab é basicamente cobrir o cabelo, o corpo, se vestir modestamente. Eu uso para me aproximar de Deus, é chato ouvir que somos oprimidas por isso, essa forma de ver e falar que a mulher só é livre se tirar a roupa. O que dá liberdade para a mulher é a opção de usar o que quiser”, afirma.

Já os tipos de hijab, é questão puramente cultural. “Antigamente famílias obrigavam, mas esse não é o certo, não levamos na norma do que usar, temos o livre arbítrio[…] A religião fala só de se cobrir, mas muda por conta da cultura, moda e vários fatores”, diz. 

Outro boato mito comum em relação à mulheres muçulmanas sobre poder dirigir ou não. A Árabia Saudita, último país que vetava às mulheres o direito de dirigir, começou a expedir carteiras de motoristas para mulheres em 2018. 

“A mulher muçulmana tem todos os direitos, o problema é a cultura. O pessoal tá tão enraizado com o machismo que eles agem desta forma e põe a culpa na religião, mas não faz parte de ser muçulmano. Graças a Deus as coisas estão mudando mas temos um caminho muito longo para frente”, afirma. 

Fonte: IG Mulher


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