domingo, 7 junho, 2026
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Pesquisa da USP revela danos severos ao cabelo causados por química e calor excessivo

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Um estudo realizado no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) identificou danos estruturais profundos nos cabelos submetidos à combinação de procedimentos químicos, como descoloração e alisamento, com o uso frequente de chapinhas e secadores em altas temperaturas.

A pesquisa utilizou microscopia eletrônica, espectroscopia e espalhamento de raios X para analisar fios naturais e quimicamente tratados, submetidos a temperaturas entre 30°C e 270°C. Os resultados mostraram que o calor excessivo acelera a deterioração da estrutura capilar, comprometendo proteínas e lipídios responsáveis pela resistência, elasticidade, hidratação e brilho dos fios.

Segundo a pesquisadora Cibele de Castro Lima, responsável pelo estudo durante seu doutorado na USP, os danos mais graves foram observados em cabelos que passaram simultaneamente por descoloração, alisamento ácido e exposição a altas temperaturas.

Danos começam dentro do fio

Os pesquisadores constataram que o córtex, camada interna responsável pela força e resistência do cabelo, é mais sensível ao calor do que a cutícula, camada externa que protege os fios.

De acordo com o estudo, alterações estruturais profundas começam a ocorrer no interior da fibra capilar antes mesmo de surgirem sinais visíveis de danos na superfície.

As análises revelaram que temperaturas acima de 220°C iniciam a degradação da queratina, principal proteína que compõe o cabelo. Entre 220°C e 250°C, ocorre a quebra das estruturas internas do córtex, tornando os fios mais frágeis e suscetíveis à quebra.

Perda de hidratação e proteção

O estudo também apontou que os lipídios naturais responsáveis pela hidratação e proteção dos fios começam a perder estabilidade com o aumento da temperatura.

Acima de 260°C, essas substâncias praticamente desaparecem, provocando danos considerados severos e irreversíveis.

Outro fenômeno observado foi a liberação de gases decorrentes da decomposição da queratina em temperaturas superiores a 200°C. Segundo os pesquisadores, o odor forte percebido durante o uso da chapinha está relacionado à quebra de aminoácidos que contêm enxofre, sinalizando danos significativos à estrutura capilar.

Química potencializa os prejuízos

Nos cabelos descoloridos e alisados, os danos foram ainda mais evidentes. As análises mostraram perda acelerada da organização estrutural da fibra, desalinhamento das proteínas e redução da resistência térmica.

Os fios submetidos aos dois tratamentos químicos apresentaram maior porosidade, fragilidade e tendência à quebra quando expostos ao calor.

Em alguns casos, as estruturas internas foram completamente degradadas, restando apenas a camada externa do fio.

Orientação para consumidores

O professor Cristiano Oliveira, orientador da pesquisa, destaca que os resultados podem contribuir para o desenvolvimento de produtos cosméticos mais eficientes, como protetores térmicos e tratamentos reparadores.

Para consumidores e profissionais da área da beleza, a recomendação é evitar o uso excessivo de chapinhas e secadores em temperaturas elevadas, especialmente quando associado a processos químicos como descoloração e alisamentos.

Os pesquisadores alertam que mesmo cabelos sem química podem sofrer danos permanentes quando expostos frequentemente a temperaturas superiores a 200°C.

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