Eddie Smith Jr. rejeitou ofertas de quase US$ 500 milhões e criou uma estrutura para manter a fabricante de barcos sob controle de um fundo voltado aos funcionários e à comunidade.
Uma história empresarial nos Estados Unidos chamou atenção pela decisão de um empresário que optou por não vender sua companhia mesmo após receber propostas avaliadas em quase US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,7 bilhões.
Eddie Smith Jr., proprietário da fabricante de barcos Grady-White Boats, decidiu transferir o controle acionário da empresa para um fundo permanente. A estrutura foi criada para impedir que o negócio seja vendido no futuro e garantir que sua administração continue voltada aos funcionários, à comunidade e a projetos sociais.
A decisão ocorreu depois de décadas de trabalho e de uma trajetória marcada pela recuperação da empresa, que chegou a enfrentar uma grave crise financeira.
Empresa chegou perto da falência
Quando assumiu a Grady-White Boats, Eddie encontrou uma companhia em situação financeira difícil. Para tentar recuperar o negócio, passou a dedicar grande parte da vida à empresa, chegando a trabalhar entre 80 e 100 horas por semana.
Ao longo dos anos, a estratégia deu resultado. A companhia se recuperou e passou a registrar faturamento superior a US$ 100 milhões por ano, tornando-se uma das fabricantes de barcos de destaque nos Estados Unidos.
Foi durante esse processo que os funcionários tiveram participação na recuperação do negócio, algo que influenciou a decisão tomada pelo empresário décadas depois.
Por que ele recusou a venda
Eddie recebeu diferentes propostas para vender a empresa, incluindo ofertas próximas de US$ 500 milhões. No entanto, decidiu não aceitar.
Segundo ele, a experiência de amigos que venderam seus próprios negócios influenciou sua escolha. O empresário afirmou que viu empresas perderem características e valores construídos ao longo de décadas depois da mudança de controle.
“Todos ficaram decepcionados com o que aconteceu depois da venda. As empresas perderam a cultura que eles levaram décadas para construir. Eu não suportaria ver isso acontecer com a minha”, afirmou Eddie à revista Fortune.
Em vez de transformar a empresa em um negócio vendido ao maior interessado, ele optou por criar uma estrutura permanente de controle.
Empresa passa a ter uma nova missão
O controle acionário da Grady-White Boats foi transferido para um fundo permanente responsável por preservar princípios considerados importantes para a companhia, incluindo a participação nos lucros, a valorização dos funcionários e investimentos em educação.
Os lucros também deverão ser direcionados para projetos sociais, iniciativas comunitárias e ações de conservação ambiental.
A decisão está relacionada também à história pessoal do empresário. Filho de um homem que cresceu em situação de pobreza durante a Grande Depressão nos Estados Unidos, Eddie foi o primeiro integrante da família a concluir uma faculdade.
Ele também enfrentou perdas pessoais importantes. A esposa e, posteriormente, um filho morreram em decorrência da esclerose lateral amiotrófica (ELA). Segundo o relato apresentado sobre sua trajetória, essas experiências contribuíram para que ele passasse a enxergar a empresa também como uma forma de ajudar outras pessoas.
Ao explicar sua decisão, Eddie resumiu a escolha como uma oportunidade de contribuir com outras pessoas:
“Quem tem a sorte de estar em posição de ajudar os outros recebe um verdadeiro presente por poder fazer isso.”
Com a nova estrutura, a intenção é que a Grady-White Boats continue funcionando sem ficar sujeita a uma futura venda, mantendo parte dos resultados direcionada aos funcionários, à comunidade e a projetos de interesse social e ambiental.



