Um bloco de 14 países latino-americanos aderiu a uma ação conjunta com os Estados Unidos para impor sanções ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), classificados por Washington como organizações “narcoterroristas”. A medida integra a aliança batizada de “Escudo das Américas”, criada pelo governo de Donald Trump para endurecer o combate ao crime organizado transnacional na região.
As duas facções, que têm origem e forte atuação em São Paulo e no Rio de Janeiro, já haviam sido classificadas isoladamente pelos EUA como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designadas, o que permite o congelamento de bens e restrições financeiras a pessoas e empresas ligadas aos grupos. Agora, a adesão de mais países amplia o alcance das sanções e pressiona por cooperação internacional contra o financiamento das organizações.
A movimentação ocorre em meio a atritos diplomáticos entre Brasília e Washington, já que setores do governo brasileiro — incluindo Polícia Federal e Itamaraty — veem com preocupação a classificação de grupos criminosos domésticos como terroristas, temendo que isso abra espaço para ações unilaterais dos EUA em território nacional. O tema também apareceu no discurso do presidente Lula na Assembleia Geral da ONU nesta semana, ao rebater tentativas de interferência externa.



