terça-feira, 30 junho, 2026
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Onda de calor na Europa bate recordes e reforça alerta sobre crise climática

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A primeira onda de calor do verão europeu em 2026 tem registrado temperaturas recordes em diversos países e reacendido o debate sobre os impactos das mudanças climáticas e a necessidade de adaptar cidades, sistemas de saúde e relações de trabalho aos eventos extremos.

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o fenômeno foi mais intenso do que o esperado e atingiu um continente que ainda apresenta infraestrutura urbana e legislação trabalhista pouco preparadas para enfrentar períodos prolongados de calor.

A onda de calor afetou principalmente as regiões central e norte da Europa, com temperaturas superiores a dois graus acima da média por pelo menos três dias consecutivos. Recordes foram registrados no norte da Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Polônia, Dinamarca, Lituânia, Letônia e Suécia.

Fenômeno atmosférico

De acordo com o professor Vasco Mantas, diretor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, o calor extremo está associado ao chamado Omega Block, um bloqueio atmosférico provocado por uma extensa área de alta pressão estacionada sobre a Europa Ocidental.

Esse sistema favoreceu a formação de uma “cúpula de calor” (heat dome), que transportou ar quente do Norte da África para o continente, mantendo céu limpo, forte radiação solar e temperaturas entre 5°C e 12°C acima da média para esta época do ano.

Especialistas alertam que esse tipo de evento tem se tornado cada vez mais frequente e intenso em razão das mudanças climáticas.

Cidades despreparadas

Apesar da tradição europeia em políticas ambientais, pesquisadores afirmam que muitas cidades perderam áreas verdes ao longo das últimas décadas devido à expansão urbana e à pressão imobiliária.

Segundo o geógrafo Paulo Nossa, da Universidade de Coimbra, a falta de parques e espaços arborizados aumenta os efeitos das altas temperaturas, principalmente sobre idosos, crianças, pessoas em situação de rua e pacientes com doenças cardiovasculares.

Outro fator de preocupação é o calor durante a noite, que dificulta a recuperação do organismo e aumenta os riscos à saúde.

Na França, por exemplo, a cidade de Palluau registrou 43,8°C, uma das maiores temperaturas já observadas no país.

Turismo e trabalho também são afetados

O calor extremo também preocupa o setor de turismo, justamente no período de maior fluxo de visitantes ao continente.

Especialistas defendem a criação de novos protocolos para distribuir melhor os horários de visitação, evitando os períodos de maior calor, além da revisão das normas trabalhistas para proteger trabalhadores expostos às altas temperaturas, especialmente aqueles que atuam ao ar livre.

Mudanças climáticas

O secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, alertou que eventos como esse tendem a se tornar mais frequentes enquanto houver elevado consumo de combustíveis fósseis.

Ele defendeu a aceleração da transição para fontes renováveis de energia, a proteção das florestas e investimentos em políticas de adaptação climática.

Para os especialistas, as mudanças climáticas já alteram o funcionamento das cidades, os sistemas de saúde e as condições de trabalho, tornando urgente a adoção de medidas capazes de reduzir os impactos dos eventos extremos.

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