domingo, 1 março, 2026
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Canetas emagrecedoras exigem prescrição e acompanhamento médico para evitar riscos

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Medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, podem ser eficazes, mas exigem indicação correta e acompanhamento médico regular. O alerta ganhou força após uma agência reguladora do Reino Unido divulgar casos de pancreatite aguda associados ao uso desses fármacos. No Brasil, dados da Anvisa apontam mais de 200 notificações suspeitas de pancreatite relacionadas a medicamentos indicados para diabetes e obesidade.

O médico Marcio Corrêa Mancini, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que esses medicamentos estão disponíveis há quase duas décadas e vêm apresentando avanços em eficácia e posologia. Segundo ele, cerca de 1,5 milhão de pessoas utilizaram o tratamento no Reino Unido, com 19 casos de pancreatite registrados no período.

De acordo com o especialista, os principais riscos atualmente estão ligados ao uso sem orientação médica e à aquisição de produtos de origem duvidosa, como medicamentos manipulados irregularmente ou contrabandeados. Ele também alerta que a aplicação em clínicas, quando feita fora das normas sanitárias, é irregular.

Inicialmente desenvolvidos para o controle do diabetes tipo 2, esses medicamentos também demonstraram eficácia no tratamento da obesidade. Estudos mostram que a nova geração desses fármacos pode reduzir a hemoglobina glicada em mais de 2%, percentual próximo ao observado em cirurgias bariátricas.

Entre os possíveis efeitos adversos está a pancreatite, caracterizada por dor intensa na parte superior do abdômen, que pode irradiar para as costas. O quadro deve ser avaliado imediatamente por um médico, com exames de imagem para confirmação do diagnóstico. Segundo Mancini, a pancreatite pode estar associada à formação de cálculos biliares decorrente da rápida perda de peso — situação que também pode ocorrer após cirurgia bariátrica ou dietas muito restritivas.

Outro ponto de atenção é a perda de massa muscular. O médico orienta que pacientes, especialmente os mais idosos, mantenham ingestão adequada de proteínas — pelo menos 1,2 grama por quilo de peso corporal — e pratiquem exercícios de resistência, como musculação, para preservar a musculatura. Estudos indicam que, em alguns casos, mais de 40% do peso perdido pode corresponder à massa muscular, o que aumenta o risco de fragilidade e prejuízos à saúde.

Especialistas reforçam que o tratamento deve ser individualizado, com prescrição médica e acompanhamento contínuo, a fim de reduzir riscos e potencializar os benefícios.

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