Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Carlos concluiu que o acúmulo de gordura abdominal, principalmente a gordura visceral — localizada entre os órgãos — está associado a um maior risco de incontinência urinária de esforço em mulheres.
A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, foi publicada no European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology.
Segundo os pesquisadores, a distribuição da gordura corporal pode ter mais impacto sobre o problema do que o próprio peso total da pessoa.
A incontinência urinária de esforço é caracterizada pela perda involuntária de urina durante ações simples do dia a dia, como tossir, rir, carregar peso ou praticar exercícios físicos.
Pesquisa avaliou quase 100 mulheres
O estudo analisou 99 mulheres entre 18 e 49 anos na cidade de São Carlos.
As participantes passaram por exames de composição corporal e responderam questionários sobre sintomas urinários e qualidade de vida.
Os pesquisadores observaram que:
- 39,4% das participantes relataram episódios de perda urinária;
- mulheres com maior quantidade de gordura visceral apresentaram risco cerca de 51% maior de incontinência urinária de esforço.
Gordura visceral sobrecarrega o assoalho pélvico
De acordo com a coordenadora do estudo, a professora Patricia Driusso, a gordura visceral aumenta a pressão dentro do abdômen e sobrecarrega o assoalho pélvico, musculatura responsável por sustentar órgãos como a bexiga.
Além disso, esse tipo de gordura libera substâncias inflamatórias que podem prejudicar a qualidade muscular e reduzir a capacidade de contração dos músculos.
Tratamento e prevenção
Os pesquisadores destacam que o fortalecimento do assoalho pélvico, feito com acompanhamento fisioterapêutico, é considerado o principal tratamento para a condição.
Segundo o estudo, o treinamento adequado pode apresentar melhora significativa em aproximadamente três meses, mas os exercícios precisam ser mantidos continuamente.
Os autores também alertam que a incontinência urinária ainda é cercada por tabu e muitas mulheres acabam normalizando pequenos episódios de perda urinária, sem procurar tratamento.



