sexta-feira, 27 fevereiro, 2026
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Paciente com lesão medular volta a movimentar o pé após uso de medicamento experimental desenvolvido pela UFRJ

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Um homem de 35 anos, que ficou paraplégico após sofrer uma lesão medular no estado do Rio de Janeiro, apresentou melhora motora após o uso da polilaminina, medicamento experimental desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O caso é um dos que integram estudos e aplicações autorizadas judicialmente da substância, que ainda está em fase de testes clínicos.

Diogo Barros Brollo sofreu uma lesão medular total após cair de um prédio durante o trabalho em Nova Friburgo (RJ). Desde o acidente, ele não apresentava movimentos nem sensibilidade da cintura para baixo. Após obter autorização judicial, passou a receber a aplicação da polilaminina, substância que está em avaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Cerca de duas semanas após o início do tratamento, Diogo relatou ter conseguido movimentar voluntariamente o pé direito. O episódio foi acompanhado e registrado pela equipe médica responsável. Além do movimento do pé, ele informou o retorno parcial de sensibilidade em regiões das pernas, contração voluntária da coxa e da musculatura do esfíncter.

Segundo o paciente, os movimentos são voluntários e ocorrem de forma consciente. A evolução clínica foi documentada pela equipe científica liderada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da UFRJ responsável pelo desenvolvimento da polilaminina.

A substância é uma versão produzida em laboratório da laminina, proteína envolvida no desenvolvimento embrionário e na conexão entre neurônios. A pesquisa com a polilaminina é conduzida há mais de duas décadas pela UFRJ e investiga o potencial do composto na regeneração de lesões na medula espinhal.

Antes do caso de Diogo, outros pacientes também apresentaram respostas após o uso experimental da substância. Entre eles está Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, diagnosticado com tetraplegia, que voltou a andar após receber a aplicação. Outro paciente, Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, apresentou recuperação de sensibilidade e contrações musculares menos de 48 horas após o procedimento.

As aplicações realizadas até o momento ocorreram com autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e, em alguns casos, por meio de decisões judiciais. Os procedimentos foram conduzidos pelo neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, em hospitais do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

De acordo com a equipe médica envolvida, os testes oficiais de segurança do medicamento deverão ser realizados inicialmente em pacientes com lesões medulares completas e recentes, ocorridas em até 72 horas, grupo que apresenta maior potencial de recuperação.

O laboratório Cristália é responsável pelo apoio financeiro à pesquisa e pela futura produção do fármaco, que aguarda liberação da Anvisa para ampliação dos estudos clínicos. Há discussões em andamento para que, caso aprovado, o medicamento possa ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Até o momento, dez pessoas ingressaram na Justiça para solicitar o uso da polilaminina. Destas, cinco decisões já foram cumpridas. As aplicações ocorreram em cidades como Caraguatatuba (SP) e Vitória (ES), com novos procedimentos previstos para Maringá (PR) e Salvador (BA).

As investigações seguem em andamento, e os resultados observados até agora continuam sendo acompanhados por equipes médicas e científicas responsáveis pelos estudos.

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