Dois adolescentes foram apreendidos em Rio Claro durante abordagem da ROCAM; ocorrência também registra passagem de um deles pelo CREAS antes de ir ao ponto de venda
Na noite de quarta-feira (16), policiais militares da ROCAM apreenderam dois adolescentes envolvidos, segundo o registro policial, com a comercialização de drogas em Rio Claro (SP).
A ocorrência foi registrada por volta das 18h50, na região da Rua 9A com a Avenida 60A, no Jardim Bandeirantes. Durante o patrulhamento, os policiais observaram dois adolescentes que apresentavam movimentos considerados suspeitos na região da cintura.
Na abordagem, um deles estava com 28 eppendorfs contendo cocaína, além de R$ 40 em dinheiro. Com o segundo adolescente foram encontradas oito porções de uma substância aparentando ser derivada de maconha, descritas no registro como colombina e material seco, além de R$ 216.
Durante as buscas, os policiais localizaram ainda 122 eppendorfs com cocaína, semelhantes aos que estavam com um dos adolescentes.
Ao todo, foram apreendidos 150 eppendorfs de cocaína, oito porções de material semelhante à maconha e R$ 256 em dinheiro.
Segundo o registro da ocorrência, os dois adolescentes admitiram aos policiais que estavam comercializando drogas.
Um deles teria informado à equipe que havia começado a vender os entorpecentes por volta das 16h, depois de deixar um atendimento no CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e se dirigir até o local utilizado para a comercialização das drogas.
CREAS é citado no registro
A passagem de um dos adolescentes pelo CREAS antes da ocorrência chama atenção e integra o contexto relatado no registro policial.
O adolescente teria informado que estava sendo atendido pelo serviço e, após deixar o local, seguiu para o ponto onde passou a vender drogas.
O episódio também ocorre em meio a relatos anteriores encaminhados à reportagem do Grupo Rio Claro sobre situações envolvendo adolescentes nas proximidades do CREAS.
Segundo informações repassadas à nossa equipe, em uma ocorrência anterior, adolescentes teriam sido vistos nas proximidades do CREAS fumando maconha. Ainda conforme os relatos recebidos, funcionários da unidade teriam saído do local durante uma abordagem da Polícia Militar e, segundo essas informações, atuado de maneira a intervir em favor dos adolescentes diante da presença dos policiais.
O Grupo Rio Claro não teve acesso, até o momento, a documentos oficiais que comprovem eventual irregularidade na conduta dos funcionários ou do próprio CREAS nesse episódio. Por esse motivo, o relato é apresentado como informação recebida pela reportagem, e não como uma conclusão sobre a atuação da unidade.
A situação, porém, levanta questionamentos sobre o acompanhamento oferecido aos adolescentes atendidos pela rede de assistência social, especialmente diante do registro de que um deles teria deixado o atendimento e, posteriormente, sido localizado pela polícia comercializando drogas.
Apreensão
Os adolescentes foram encaminhados à autoridade policial, juntamente com os entorpecentes e o dinheiro apreendidos durante a ocorrência.
A apreensão das drogas foi registrada pela Polícia Militar e os procedimentos envolvendo os adolescentes foram encaminhados às autoridades competentes.
A ocorrência não permite, por si só, concluir que o atendimento prestado pelo CREAS tenha relação direta com o envolvimento dos adolescentes com o tráfico ou que tenha ocorrido qualquer falha por parte dos funcionários da unidade.
O caso reforça, entretanto, a necessidade de esclarecimentos sobre o acompanhamento de adolescentes em situação de vulnerabilidade e sobre a integração entre os serviços de assistência social, família, órgãos de proteção e forças de segurança.
Até o momento, não há informação no registro policial apresentado à reportagem sobre eventual medida específica adotada pelo CREAS em relação ao adolescente após o atendimento mencionado.
O que foi apreendido
- 150 eppendorfs contendo cocaína;
- 8 porções de material semelhante à maconha;
- R$ 256 em dinheiro.
Os adolescentes responderão aos procedimentos previstos para atos infracionais, conforme as determinações da autoridade competente.


