quinta-feira, 8 outubro, 2026
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Novo curativo para diabéticos combate infecções e acelera cicatrização

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Tecnologia desenvolvida na Alemanha combina bacteriófagos, proteínas e materiais com ação antisséptica para tratar feridas crônicas

Cientistas alemães estão desenvolvendo um novo tipo de curativo que pode ajudar no tratamento de feridas crônicas, especialmente em pessoas com diabetes e problemas de circulação. A tecnologia foi criada para atuar não apenas como uma proteção para a lesão, mas também no combate a bactérias e na regeneração da pele.

O projeto é desenvolvido pelo Instituto Fraunhofer de Tecnologias e Sistemas Cerâmicos (IKTS), em Dresden, na Alemanha. O material, ainda em fase experimental, é biodegradável e formado por fibras extremamente finas capazes de transportar substâncias diretamente para a região lesionada.

A proposta é combinar, em uma única estrutura, componentes que combatem microrganismos e outros que estimulam a formação de novas células da pele.

Os pesquisadores esperam que a tecnologia possa reduzir o risco de infecções e contribuir para uma cicatrização mais rápida. O desenvolvimento também busca oferecer uma alternativa diante do avanço da resistência bacteriana aos antibióticos.

Como funciona

O novo curativo está sendo desenvolvido a partir da combinação de três componentes principais.

Um deles são os bacteriófagos, vírus que infectam e destroem determinadas bactérias. A ideia é utilizá-los para combater microrganismos responsáveis por infecções nas feridas.

O segundo componente são proteínas capazes de estimular o crescimento de novas células da pele, favorecendo o processo de regeneração e fechamento da lesão.

O terceiro são os chamados MXenes, materiais microscópicos que apresentam propriedades antissépticas e podem contribuir para o combate aos agentes causadores de infecções.

Os três componentes deverão ser incorporados a uma camada formada por fibras muito finas, semelhante a um tecido. Dessa maneira, as substâncias poderão ser liberadas diretamente sobre a área machucada.

Tecnologia voltada a feridas crônicas

Feridas que demoram muito tempo para cicatrizar são uma complicação importante entre pessoas com diabetes e pacientes que apresentam problemas de circulação sanguínea.

Nesses casos, lesões aparentemente pequenas podem permanecer abertas durante semanas ou meses e aumentar o risco de infecções. Em situações graves, complicações podem levar à necessidade de amputação.

Segundo os pesquisadores, aproximadamente 1 milhão de pessoas recebem tratamento para feridas crônicas na Alemanha, com custos estimados em cerca de 7,5 bilhões de euros por ano.

Para Peter Schmieder, integrante da equipe do Fraunhofer IKTS, um dos diferenciais da tecnologia é a presença de substâncias ativas no próprio material. Enquanto curativos convencionais têm principalmente a função de proteger a lesão, a proposta do novo sistema é também atuar sobre os microrganismos e estimular os mecanismos de regeneração da pele.

Curativo ainda está em fase experimental

Apesar dos resultados esperados pelos pesquisadores, o novo curativo ainda não está disponível para pacientes.

Um dos desafios atuais é reunir os diferentes componentes sem comprometer suas propriedades. Tanto os bacteriófagos quanto as proteínas utilizadas no processo de regeneração são sensíveis à temperatura e a determinadas condições ambientais.

Por isso, a equipe inicialmente testa cada componente separadamente e, posteriormente, pretende incorporá-los ao mesmo material.

O projeto internacional AntiMicroMXen começou em junho de 2024 e tem conclusão prevista para maio de 2027. Participam da iniciativa instituições da Alemanha, Polônia e Letônia.

O Fraunhofer IKTS também busca parceiros clínicos para a realização dos testes necessários às etapas de aprovação regulatória.

Assim, embora a tecnologia represente uma possibilidade para o tratamento de feridas crônicas, ainda serão necessários estudos e testes clínicos para determinar sua segurança e eficácia em pacientes.

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