domingo, 23 agosto, 2026
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Cientistas descobrem mecanismo por trás do ronco alto e apontam caminho para reduzir o barulho

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Modelo computacional reproduziu o funcionamento das vias respiratórias durante o sono e identificou papel importante do palato mole na produção do som

Uma nova pesquisa pode ajudar cientistas a compreender melhor por que algumas pessoas produzem roncos tão altos durante o sono e, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficientes para reduzir o barulho.

Pesquisadores do Instituto Real de Tecnologia KTH, em Estocolmo, na Suécia, conseguiram reproduzir em computador o que acontece dentro das vias respiratórias durante o sono e identificaram um dos principais mecanismos envolvidos na produção do som.

O estudo foi publicado no último dia 18 na revista científica Physics of Fluids e utilizou um modelo tridimensional das vias aéreas superiores. A ferramenta permitiu simular simultaneamente a passagem do ar, o movimento dos tecidos e a geração do som.

Os resultados apontaram para uma região específica da boca: o palato mole, tecido localizado na parte posterior do céu da boca.

Segundo os pesquisadores, quando o ar passa de maneira irregular por essa região, o palato mole pode vibrar e produzir alguns dos sons mais intensos associados ao ronco.

Como o ronco é produzido

Durante o sono, o fluxo de ar pelas vias respiratórias pode provocar movimentos e vibrações dos tecidos presentes na região da garganta e da boca.

O modelo desenvolvido pelos cientistas permitiu observar com mais detalhes como esse processo ocorre e quais estruturas podem ter maior participação na produção do som.

A equipe conseguiu reproduzir virtualmente diferentes aspectos da respiração e da geração do ronco, permitindo analisar a relação entre o movimento do ar e a vibração dos tecidos.

“Esperamos entender melhor como a respiração provoca o ronco e identificar os mecanismos dominantes de geração do som”, explicou Peng Li, pesquisador do KTH e um dos autores do estudo.

A descoberta pode ser importante porque, em vez de analisar apenas o som produzido, os pesquisadores conseguem observar virtualmente onde e como a vibração começa.

Palato mole aparece como peça importante

Entre as estruturas analisadas, o palato mole chamou a atenção dos pesquisadores.

Localizado na parte posterior do céu da boca, ele pode vibrar quando o ar passa de forma irregular pela região. Essa vibração, de acordo com o estudo, pode estar relacionada à produção de alguns dos sons mais fortes do ronco.

A partir dessa constatação, os pesquisadores avaliam que duas possibilidades podem ser investigadas em trabalhos futuros: reduzir a vibração do palato mole ou modificar a maneira como o ar passa pela região.

A ideia é entender se alterações nessas condições poderiam diminuir a intensidade de determinados tipos de ronco.

Descoberta pode ajudar futuros tratamentos

Uma das possibilidades levantadas pela pesquisa é a utilização do modelo para estudar procedimentos que tenham como objetivo tornar o palato mais rígido.

Se a redução da vibração do tecido diminuir a produção do som, esse tipo de informação poderá ajudar pesquisadores a avaliar técnicas destinadas a modificar o comportamento do palato mole.

No entanto, os cientistas ressaltam que os resultados ainda estão no campo da pesquisa.

O estudo não apresenta um novo tratamento disponível para pessoas que roncam e não significa que procedimentos para deixar o palato mais rígido sejam, por si só, uma solução comprovada.

A pesquisa oferece, principalmente, uma nova maneira de estudar os mecanismos físicos envolvidos na produção do ronco.

Pesquisa foi feita com modelo de computador

Um dos pontos importantes do estudo é que os pesquisadores não realizaram um novo tratamento em pacientes.

O trabalho foi desenvolvido a partir de um modelo computacional simplificado, criado para reproduzir as condições das vias respiratórias superiores durante o sono.

Esse tipo de simulação permite aos cientistas testar diferentes situações sem precisar realizar imediatamente intervenções em pessoas.

Com o modelo, é possível modificar determinadas características das estruturas respiratórias e observar como essas alterações influenciam o fluxo de ar, a vibração dos tecidos e o som produzido.

A próxima etapa da pesquisa será justamente explorar diferentes níveis de rigidez do palato mole.

Próxima etapa será testar diferentes níveis de rigidez

Os pesquisadores pretendem modificar virtualmente a rigidez do palato e verificar como essas alterações interferem no ronco.

Entre os aspectos que serão analisados estão a intensidade do som, sua frequência e o comportamento do fluxo de ar.

A intenção é descobrir quais características do tecido favorecem ou reduzem a vibração responsável pelo barulho.

Esse tipo de investigação pode ajudar a identificar quais mecanismos são mais importantes em determinados tipos de ronco e, futuramente, contribuir para estratégias mais específicas.

Isso é relevante porque nem todo ronco necessariamente acontece exatamente da mesma maneira.

Ronco comum não é a mesma coisa que apneia

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é a diferença entre o ronco palatal estudado na pesquisa e a apneia obstrutiva do sono.

A apneia obstrutiva é uma condição mais séria em que a respiração pode ser interrompida repetidamente durante o sono. Por isso, exige avaliação médica.

O estudo realizado pela equipe do KTH concentrou-se no ronco palatal não relacionado à apneia.

Segundo os pesquisadores, muitos estudos anteriores se concentraram justamente na relação entre o ronco e a apneia. O novo trabalho busca ampliar a compreensão sobre o ronco comum, que também pode ter impacto na qualidade do sono.

Além de incomodar quem dorme no mesmo ambiente, o ronco pode prejudicar o próprio descanso da pessoa que ronca, dependendo das características e da intensidade do problema.

O que os cientistas querem descobrir agora

Com o avanço das simulações, a equipe pretende investigar de maneira mais detalhada a relação entre o palato mole e o fluxo de ar.

A ideia é alterar virtualmente a rigidez do tecido e observar o que acontece com:

  • intensidade do ronco;
  • frequência do som produzido;
  • vibração do palato mole;
  • passagem do ar pelas vias respiratórias.

A partir desses dados, os pesquisadores poderão compreender melhor quais condições favorecem a produção de sons mais altos.

Esse conhecimento também poderá ajudar a avaliar, de forma mais precisa, possíveis estratégias para reduzir determinados tipos de ronco.

Resultado ainda não significa solução imediata

Apesar de a descoberta abrir uma possibilidade interessante para futuras pesquisas, ainda existe um caminho entre a simulação computacional e a criação de um tratamento eficaz.

O modelo utilizado pelos cientistas representa uma simplificação do funcionamento das vias respiratórias humanas. Por isso, os resultados precisam ser aprofundados antes que qualquer técnica baseada nessas descobertas possa ser considerada uma opção de tratamento.

A pesquisa, portanto, representa principalmente um avanço na compreensão de como o fluxo de ar e a vibração dos tecidos podem produzir o ronco.

O próximo passo será verificar, dentro das próprias simulações, como diferentes níveis de rigidez do palato modificam o fenômeno.

A expectativa dos pesquisadores é que essa investigação permita identificar os mecanismos dominantes responsáveis pela geração do som e, no futuro, ajude no desenvolvimento de abordagens mais direcionadas para reduzir o ronco alto.

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