domingo, 31 maio, 2026
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Dia Mundial sem Tabaco: vapes disfarçados preocupam especialistas e aumentam risco de dependência entre jovens

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Dispositivos eletrônicos ganham formatos cada vez mais discretos e dificultam fiscalização

No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado neste domingo (31), especialistas alertam para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens. Segundo a Fundação do Câncer, novas tecnologias e formatos cada vez mais discretos dos chamados vapes têm facilitado a expansão do consumo e aumentado a preocupação com futuras doenças relacionadas ao tabagismo.

Apesar de a comercialização dos cigarros eletrônicos permanecer proibida no Brasil pela Anvisa desde 2009, os produtos continuam sendo encontrados facilmente em redes sociais, sites e no comércio informal.

Dados da Receita Federal mostram que, somente entre janeiro e fevereiro de 2026, foram apreendidas mais de 238 mil unidades de cigarros eletrônicos no país.

Vapes cada vez mais difíceis de identificar

Segundo especialistas, os fabricantes vêm investindo em dispositivos camuflados para atrair principalmente o público jovem.

Alguns modelos são incorporados a acessórios e até roupas, como moletons com vaporizadores embutidos, em que o bocal fica escondido nos cordões do capuz. Outros contam com telas sensíveis ao toque, jogos, músicas e sistemas de mensagens, aproximando-se da experiência de uso de smartphones.

Para o diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, essa estratégia busca tornar o consumo praticamente imperceptível e estimular a dependência precoce.

Uso entre adolescentes quase dobrou

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 indicam que a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.

O aumento preocupa especialistas devido aos impactos da nicotina no desenvolvimento cerebral dos adolescentes.

Riscos à saúde

De acordo com a Fundação do Câncer, além da nicotina, os dispositivos podem expor os usuários a substâncias tóxicas, partículas ultrafinas, compostos químicos e metais pesados.

Entre os riscos apontados estão:

  • Dependência química;
  • Problemas respiratórios;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Alterações no desenvolvimento cerebral;
  • Maior vulnerabilidade ao vício ao longo da vida.

Campanha alerta para os perigos

Neste ano, o tema da campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) é “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco”.

A Fundação do Câncer lançou a campanha “Spoiler: ele não te ama”, voltada aos jovens, para alertar sobre os riscos dos cigarros eletrônicos e combater a falsa percepção de que os dispositivos seriam menos prejudiciais à saúde.

Especialistas reforçam que, apesar do visual moderno e tecnológico, os vapes continuam representando riscos importantes à saúde e podem contribuir para a formação de uma nova geração dependente da nicotina.

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