Pesquisa com mais de 5,5 mil pessoas aponta que a combinação das duas condições aumenta em 123% o risco de morte prematura
Um estudo realizado com mais de 5,5 mil pessoas com 50 anos ou mais revelou que a combinação entre obesidade abdominal e deficiência de vitamina D pode aumentar em 123% o risco de morte em comparação com pessoas que não apresentam nenhuma das duas condições.
A pesquisa, publicada na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism, foi coordenada pelo professor Tiago Silva Alexandre, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com pesquisadores da University College London, no Reino Unido.
Duas condições que se potencializam
Segundo os pesquisadores, tanto a gordura abdominal quanto a deficiência de vitamina D já representam riscos à saúde de forma isolada. No entanto, quando ocorrem juntas, os efeitos negativos se intensificam.
Os dados mostram que:
- apenas obesidade abdominal aumenta o risco de morte em 47%;
- deficiência de vitamina D eleva esse risco em até 81%;
- quando as duas condições estão presentes, o risco chega a 123%.
Ciclo prejudicial ao organismo
De acordo com os cientistas, a gordura abdominal dificulta a ação da vitamina D ao armazená-la nas células de gordura, reduzindo sua disponibilidade no sangue.
Além disso, pessoas com obesidade apresentam menor capacidade de metabolizar a vitamina, agravando a deficiência.
Esse processo favorece um estado de inflamação crônica, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, perda muscular e outras complicações relacionadas ao envelhecimento.
Vitamina D exerce papel importante
Os pesquisadores destacam que a vitamina D atua em diversas funções do organismo, incluindo:
- fortalecimento do sistema imunológico;
- regulação da pressão arterial;
- funcionamento do coração;
- saúde do sistema nervoso;
- controle do metabolismo.
Quando seus níveis estão baixos, essas funções podem ser comprometidas, especialmente em pessoas acima dos 50 anos.
Monitoramento é essencial
Os autores defendem que controlar o excesso de gordura abdominal e acompanhar regularmente os níveis de vitamina D são medidas importantes para reduzir o risco de doenças e mortes prematuras.
Estudos anteriores do mesmo grupo também relacionaram a deficiência da vitamina à perda de força muscular, redução da mobilidade, maior dependência nas atividades diárias e aumento do risco de declínio cognitivo durante o envelhecimento.



