quarta-feira, 12 agosto, 2026
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ANPD manda Discord suspender lives no Brasil após casos envolvendo menores; entenda

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Empresa tem três dias para interromper a função Go Live; medida foi tomada após investigação sobre riscos à segurança de crianças e adolescentes

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), que o Discord suspenda no Brasil a função de transmissões ao vivo e compartilhamento de vídeos. A empresa terá três dias para cumprir a decisão, que tem caráter preventivo.

A medida deverá ser mantida até que a plataforma comprove a adoção de medidas consideradas adequadas para proteger crianças e adolescentes. O Discord poderá recorrer da decisão no prazo de dez dias úteis.

Segundo a ANPD, a determinação está relacionada a episódios de violência e coação envolvendo menores de 18 anos em ambientes virtuais. Entre os casos citados está o de uma adolescente de 13 anos, de Naviraí (MS), que teria sido induzida a tirar a própria vida durante uma transmissão realizada em canais do Discord, em 22 de julho.

O caso é investigado pela Operação Lívia, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

As investigações apuram a atuação de uma suposta organização criminosa que teria atraído crianças e adolescentes para comunidades virtuais e os submetido a coerção psicológica, desafios de automutilação, violência contra animais e estímulos ao suicídio.

Na primeira fase da operação, cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, foram apreendidos, enquanto um homem de 18 anos foi detido. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.

Medida não bloqueia o Discord

A ANPD esclareceu que a decisão não determina o bloqueio do Discord no Brasil.

A suspensão é específica para a funcionalidade “Go Live”, utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados da plataforma.

A agência instaurou, na última sexta-feira (7), um processo de fiscalização para investigar possíveis falhas na proteção dos usuários, principalmente crianças e adolescentes.

De acordo com a ANPD, foram identificadas falhas na implementação de medidas estruturais e procedimentos para prevenir e combater violações graves.

A agência afirma que existem evidências de que a empresa não teria adotado medidas consideradas razoáveis para prevenir ou reduzir riscos relacionados ao acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos envolvendo violência, automutilação e suicídio.

Plataforma depende de denúncias

Segundo a ANPD, uma das dificuldades está na própria arquitetura técnica do Discord.

A agência afirma que a plataforma não tem acesso ao conteúdo das transmissões de vídeo enquanto elas acontecem, o que dificultaria a análise audiovisual e a identificação em tempo real de possíveis violações.

Ainda conforme o órgão, o Discord depende de sistemas automatizados e de denúncias feitas pelos próprios usuários.

A ANPD afirma que a função de transmissões ao vivo vem sendo utilizada reiteradamente para práticas consideradas graves, com riscos à integridade física e mental de menores de idade.

A medida cautelar não impede que outras sanções sejam aplicadas ao longo do processo de fiscalização.

Caso sejam identificadas irregularidades, a agência poderá determinar medidas corretivas e aplicar sanções previstas no ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), incluindo multa de até R$ 50 milhões por infração. 

Onde buscar ajuda

Adolescentes, familiares e qualquer pessoa que esteja enfrentando pensamentos ou sentimentos relacionados ao desejo de tirar a própria vida devem procurar ajuda e conversar com alguém de confiança.

Entre os serviços que podem ser procurados estão:

  • Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e unidades básicas de saúde;
  • UPAs 24 horas, Samu (192), prontos-socorros e hospitais;
  • Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188.

O CVV oferece atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, por telefone, além de canais digitais.

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