Ibovespa aciona circuit breaker durante pregão marcado por forte volatilidade; moeda americana fecha a R$ 5,403
O mercado financeiro brasileiro enfrentou uma sessão de forte turbulência nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O dólar comercial disparou 8,21%, fechando cotado a R$ 5,403, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 13,88%, aos 176.608,23 pontos.
Durante a manhã, a queda da Bolsa ultrapassou 17%, levando à ativação do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o mercado registra perdas acentuadas.
O dólar chegou a R$ 5,6049 durante o pregão, superando a marca de R$ 5,60. Já o Ibovespa atingiu a mínima de 169.516,43 pontos, antes de reduzir parte das perdas ao longo do dia.
Dólar registra maior alta diária desde 1999
A valorização de 8,21% do dólar foi apontada como a maior alta percentual diária da moeda americana desde 13 de janeiro de 1999, período marcado por mudanças no regime cambial brasileiro.
A reação refletiu a revisão de posições de investidores após o resultado eleitoral. Parte do mercado havia apostado em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que, segundo os dados eleitorais apresentados, liderou o primeiro turno. Com a reeleição de Lula, investidores precisaram ajustar suas estratégias.
Depois de atingir R$ 5,6049, a moeda perdeu força e encerrou o dia a R$ 5,403. Entre os fatores apontados para o recuo em relação à máxima estão a realização de lucros e a entrada de recursos de exportadores que aproveitaram a cotação elevada para trazer divisas ao país.
Apesar da forte alta registrada na sessão, o dólar ainda acumulava queda de 1,57% em 2026, segundo os números divulgados.
Bolsa registra queda expressiva e interrompe negociações
O Ibovespa fechou em baixa de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. Durante a manhã, a desvalorização superior a 17% acionou o circuit breaker, ferramenta utilizada pela B3 para interromper temporariamente as negociações em momentos de queda acentuada.
A retração foi descrita como a maior queda diária desde março de 2020, quando os mercados globais sofreram fortes impactos no início da pandemia de Covid-19.
O volume financeiro movimentado durante o pregão chegou a R$ 88,6 bilhões, bem acima da média diária informada, de aproximadamente R$ 25 bilhões.
Com o resultado, o índice passou a acumular queda de 5,22% em outubro. No balanço de 2026, entretanto, ainda mantinha valorização de 9,61%, conforme os dados apresentados.
Mercado reage à mudança de expectativas
O desempenho dos ativos mostra a intensidade da reação dos investidores ao resultado eleitoral. A alta do dólar e a queda das ações refletem ajustes nas expectativas e nas posições financeiras, mas não significam, isoladamente, que todos os agentes do mercado tenham a mesma avaliação sobre o novo mandato presidencial.
A continuidade desse movimento dependerá de fatores como as expectativas para a política econômica, as decisões fiscais do governo, a inflação, os juros e o cenário internacional.
Os números desta sessão representam uma reação imediata do mercado e não permitem, por si só, concluir qual será o comportamento do dólar e da Bolsa nos próximos dias.


